Assopra a poeira do peito

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Assopra a poeira do peito

1
dez,2014

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Pra ler ao som:

Vamos lá. Assopra do peito essa poeira porque a esperança pode ficar mais bonita  quando a ela damos espaço.

Seu time não ganhou, seu candidato perdeu e digamos que alguns planos tenham saído um pouco fora do combinado com sua lista nova do janeiro passado. Mas tudo bem.

É utópico, é só uma data a mais, mas não adianta fugir. As cores do natal, os desejos para um ano bom te alcançarão mesmo que você more a 450 milhas da última margem da fé. Elas te alcançarão mesmo que você seja o mais ferrenho guerreiro contra a máquina destruidora que se chama consumismo, que transforma todas nossas datas mágicas em uma forma de lucrar. Então, vamos lá. Respire fundo e aproveite essa desculpa, esse pequeno espaço de tempo entre a realidade e a magia e enxugue o pranto pra aproveitar o tempo.

Tire um tempo pra fazer nada, exatamente nada. Aquele nada que nos mostra que mesmo quando não temos “nada”, ainda temos muito. Tire um tempo só para olhar ao redor e reconhecer o que o ano trouxe. Nesse momento, esqueça as promessas não cumpridas. Lembre-se de todos os desvios de caminhos que suas escolhas te condicionaram a pegar. Repare bem em cada consequência e em quanta conquista inesperada que essas escolhas muitas vezes erradas, trouxeram à você. Repare bem, pois você provavelmente não está onde queria estar, mas com certeza, encontrou muito mais do que havia listado quando os primeiros raios do sol de janeiro beijaram esse ano.

Agora que o nada já lhe mostrou que onde não coube o que você sonhou, entrou muita coisa que você precisava, continue aproveitando o tempo pra se importar com que realmente importa.

Relembre dos verbos que você conjugou tão pouco, mas que lhe faz tão bem conjugar. Dos sujeitos que você tem por eles tão pouco predicados e que para os mesmos tanto tempo você doou. Relembre do tempo perdido e se redima com você mesmo dedicando alguns minutos de digitação e letras, falando com as tantas pessoas que te fazem redundantemente bem.

Se da sua lista pouco se cumpriu, tudo bem. Um ano novo está pertinho de surgir e você pode se prometer novamente, refazendo sua lista com uma margem de planejamento das possibilidades diárias. Ano novo é pra isso. Pra recomeçar tudo que você já disse que recomeçaria e não recomeçou. Pra deixar pra lá o que deveria ter sido deixado e você não deixou. Pra reparar no que havia para ser reparado e você não reparou.

Sinta dezembro chegando com os sinos de tudo que foi bom e você não reparou. Deixe que esse vento bagunce seu cabelo e gaste este pouco tempo que ainda resta fazendo algo que com certeza existem motivos de você o fazer: agradecendo.

Não importa onde estejamos no agora. É exatamente onde deveríamos estar para alcançarmos onde queremos chegar. A vida é uma caixinha de surpresas. Permita-se surpreender.