Carta a 2016

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Carta a 2016

9
dez,2015

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Para ler ao som de:

Querido 2016,

Você ainda não chegou mas já sinto seu cheiro, como cheiro de chuva após uma longa estiagem. Como brisa leve após o temporal. As contrações para seu nascimento já começaram, a respiração cachorrinho já passou e o céu já começa mudar de cor preparando o mundo para sua chegada.

Não vou pedir que você traga nada, porque você não é moto boy, transportadora ou táxi para levar coisas ou pessoas a qualquer lugar. Mas eu peço que em seus dias, meus olhos enxerguem com mais fé.

Desejo que a cada amanhecer que você me der a oportunidade de renascer, eu me veja capaz de dizer os sins que me desafiam, e os nãos que me doem mas que são tão necessários.

Desejo que minha boca se farte em beijos que sobreviveram ao suspiro do medo, e que minhas pernas se bambeiem 365 vezes pelas novas vidas que eu me permitir.

2016, eu sopro em teu ouvido, que ainda sequer se fez visto, pela madrugada que embala meus sonhos só pra você não se esquecer de me lembrar. Me lembrar de ser sua amiga, minha amiga e amiga da vida. Abraçar o mundo sorvendo pelos pulmões cada vão estralar de costelas que o amor quiser se fazer enxergar.

Quero te receber com o encantamento do primeiro e a intensidade do último. Me lembrar a cada dia do quão efêmera é nossa passagem e ainda assim, o quão poderosos são nossos dias.

Quero sorver o amor com a ânsia de quem chupa as primeiras jabuticabas da estação. Olhar na retina de cada momento e a ela me entregar, por elas me apaixonar e em seus braços me encontrar.

Que eu seja mais carne, mais paixão, mais tesão, mais sensação, mais essência, mais vida.

Que em seus ponteiros eu reencontre a melhor versão de mim e me lembre, dia após dia, como é bom estar aqui, comigo e com todo o bem que recebo diariamente de graça e quase nunca noto.