Dependência

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Dependência

7
jun,2011

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“Canibais de nós mesmos
Antes que a terra nos coma
Cem gramas, sem dramas
Por que quê a gente é assim?”
|Cazuza|

Eu poderia ficar um milhão de horas beijando-o, que ainda assim continuaria com aquela sede. Era uma fissura que não passava. Uma gana. Uma vontade de pegá-lo pelo colarinho e beijar até fazer doer, até os lábios incharem e depois, desmanchar em soluços num abraço. Eu dormia, sonhava e acordava com ele impregnado no meu corpo, na minha boca, no meu pensamento. Um inferno. Um céu.

Ele tirava a minha paz, o meu chão, e o meu juízo e o que mais me escandalizava, era que, ó meu Deus, como eu achava tudo aquilo bom.
Ele não era nem de longe o cara mais perfeito do mundo. Logo, não havia muita explicação pra tanto querer. Mas, eu também não era o melhor modelo de perfeição que já vi, e acho que era bem aí que a coisa pegava. Devia estar aí a explicação. como se eu reconhecesse nele algo meu, meu de meu, de corpo meu em corpo estranho.
Eu estava perdida. Disso eu já não tinha, nem tenho, mais dúvidas. E o pior era que eu não queria me achar. Não conseguia. Eu queria calar, não falar, deixar confuso, plantar dúvidas, camuflar, mas eu era uma boba sem noção que até calada ficava com aquele olhar que queimava, queimava. Ardia aqui dentro.
Eu queria devorá-lo. Essa é a verdade. Ou queria ser engolida, de uma vez. Qualquer coisa que fosse rápida e indolor. Eu queria overdose dele na minha veia. Morrer de tanto sentir. Morrer pelo excesso e não pela abstinência. E aí estava meu fim, meu castigo, o motivo da minha boca seca, das minhas noites insones. Não sentindo ele, eu não sentia a mim e esse era meu maior inferno.
Me transfundi pra um copo e me bebi e ainda continuei com aquela secura e vi: eu precisava mesmo era me benzer, ou algo assim.
Pensei em chegar num padre pra pedir, ou num pastor, talvez. Mudei de idéia, pedi mesmo foi pra “Ele” e com a maior cara de pau do mundo, ajoelhada, falei:”Deus, por favor, me cura de mim!”
“Por que a gente é assim? – Cássia Heller”
Camila Lourenço
Rê Franco disse:

A-M-E-I ESSE TEXTO, EU PUDE REVIVER UMA HISTORIA MINHA A CADA PALAVRA. ESSE BLOG É SHOW!!
JA ESTOU SEGUINDO E JÁ ESTA LINKADA NOS MEUS FAVORITOS.
BEIJOS

Erica Gaião disse:

Camila!

PERFEITO… Agora sou eu quem diz: Imagino o quanto deve ter sido difícil escrever esse texto. Escrever e sentir… E esse desejo sufocador de presença, eu também senti. Eu sinto; eu relevo e às vezes ignoro por defesa. Eu já pedi, implorei, fiz novena, quase sucumbi; chorei até me sentir seca por dentro. Mas compreendi que sentimento verdadeiro plantado na alma da gente quando não floresce cria raízes. Desse jeito! Remédio, cura ou algo parecido? Esqueça! Respire fundo e aguarde o tempo certo das coisas.

Amei, como amo tudo aqui.

Beijos, querida!

Anonymous disse:

“ME CURE DE MIM…”

PRECISO DESSA CURA E ANTES DISSO PRECISO CRER QUE ELA É POSSÍVEL…
:/

Juliana Alves disse:

Que texto mais perfeito, falou td que eu qria falar, td q eu ando sentindo e não qro demonstrar (por medo dele achar que eu ainda sou fraca e dependente dele. Sou mto orgulhosa, não gosto de amor por piedade, gosto de reciprocidade, se não a tenho morro mas não demonstro…) Mas enfim, vc falou td por mim! rs Como sempre! 😉 Bjs e que Deus nos cure desse vício de amar errado, ou melhor dizendo, amar pessoas erradas tão certas pras nossas vidas.