Hoje eu acordei me achando, sabe?Até meu riso tava rindo pra mim no espelho. Ah, não sei porque, acho que é só porque esse dia foi o que Ele escolheu pra eu nascer.”

Já tive dias de gata borralheira, ou bela adormecida (qualquer uma dessas princesas meio alegres, meio tristes, que dependem sempre do beijo de algum príncipe pra ficar feliz) e já fui também meio Rita Lee, desbocada, desleixada, ousada, porra louca.
Já fui embora e voltei. Já fui sorriso que vira lágrima e lágrima que se debulha em sorriso.
Já fui criança sendo adulta(sou um pouco todo dia) e já fui adulta chata e melancólica.
Já amei até doer. Já quis ficar pendurada na boca dele até a boca arder. Já achei que ia amar pra sempre e descobri que o pra sempre sempre acaba, mas que eu iria mesmo, querer bem até o fim. Já quis ter filho japonês e também de olho claro, e depois vi que o que quero mesmo, um dia, é ter filhos. Já quis ser livre pra abraçar o mundo, já quis ficar presa por vontade.
Já quis ir embora do mundo, já quis nunca morrer, mas principalmente, já quis nunca morrer dentro de quem eu amo (isso eu quero todos os dias). Já ouvi O Teatro Mágico uma centenas de vezes chorando, e já dancei ouvindo o mesmo O Teatro Mágico com minha cachorra antes de ir trabalhar. Já curei minha tristeza curando tristeza dos outros e minha lista de coisas a fazer antes de morrer se alterna entre coisas puritanas, como ter uma ONG, e outras coisas mais que… bem, que não dá pra dizer… rs

Já cheguei no trabalho rindo irritantemente numa baita segunda-feira e já deixei também a contragosto, que todos me vissem chorar.

Já fui ingênua, maliciosa, sonhadora, pé no chão, e agora sou tudo isso, só que de uma vez (acho sinceramente que esse é meu maior castigo).
Já quis casar de branco(e continuo querendo). Já me achei, me perdi, me achei, perdi, achei e hoje eu já nem sei se essa que eu sou é a que sempre fui ou alguma outra eu estranha que encontrei em alguma das vezes que me perdi.
Já fui feliz até ter medo de acordar, e já fui triste até quase surtar.

Eu acordo sorrindo, mas tenho lances de tristeza todo dia. Eu converso com o computador e dialogo comigo quando sento em bancos de praça pra pensar. Ah, e eu sento na praça pra olhar os passarinhos e fazer o meu equilíbrio voltar. Eu troco os meus planos pra me encaixar nos de”‘alguém”(não devia, mas eu troco), e ironicamente falando sério, mudaria até pro Japão, Austrália, ou seja lá onde for, só pra viver um grande amor.
Já fui menina, mulher, meio santa, meio faço-o-que-me-der-na-telha e a vida foi o liquidificador que transformou tudo isso no que sou.
Eu faria tudo de novo. Eu ainda tenho muito mais a fazer. Aprendi que não se deixa as coisas pela metade, sendo assim, vou até a história ficar inteira, e mesmo quando saio toda rebentada nunca consegui me arrepender. Já foi mesmo, pra quê se arrepender?

Hoje eu vou dar abraço e vou receber.
Hoje Ele falou comigo e ordenou: “Hoje você está oficialmente obrigada a não sofrer” e num surto de obediência, eu assenti.
Hoje é meu dia, e prazer: esse é meu estabanado jeito de ser.

“Reticências (Celebrar muito mais) – o Teatro Mágico “

Camila Lourenço