O bichinho do mal que você e eu não deixamos ir

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O bichinho do mal que você e eu não deixamos ir

11
ago,2011

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Sou compulsiva. Leio compulsivamente, tuito compulsivamente, escrevo compulsivamente, só não como compulsivamente, graças a Deus (com exceção à chocolates em dias carregados de ansiedade e tpm). E por falar em ansiedade, sou mega power burramente improdutiva em dias que a ansiedade comanda. E essa desgraçada vive me visitando. Mas esses não são nem em sonho a cara do meu pior defeito. O meu pior defeito – meu e de um tanto bom de gente desse mundão véi sem porteira – é a auto-sabotagem. Meu Deus, como me saboto.
Vou pro norte quando quero ir pro Sul. Namorado? Vivo falando que quero, mas só me meto e enrascadas que com certeza não terminarão em namoros saudáveis e duradouros, e olha que eu nem me odeio. Mas as vezes, parece. E o pior é que como eu existem tantos…

Tenho uma amiga que quer ser jornalista, mas faz o curso de biologia. Oi? Biologia? Ao que ela responde: “Ah Camila, é o que tinha disponível na minha cidade.” Tenho outra que quer ir pra Florianópolis no reveillon, mas acabou de comprar passagem pra Salvador. Oi? Salvador? Ao que ela responde “Ah Cá, é porque tinha uma promoção mega incrível.” Tá, entendo que isso de promoção corrói mesmo nosso bom senso. Entendo minha outra amiga também que faz biologia ao invés de jornalismo porque é o disponível em sua cidade. Esses são exemplos de auto-sabotagem, mas são leves e alguns até entendíveis. Como no caso da que faz biologia. Talvez realmente não houvesse como ir pra outra cidade. Auto-sabotagem osso duro de roer mesmo é aquela que cometemos diariamente quando fazemos coisas que conscientemente sabemos que não nos levarão pra onde queremos ir. Ah meu amigo, essa é triste, e como a cometemos. Falamos que queremos mudar de emprego, mas não olhamos o classificados. Falamos que queremos ganhar mais, mas não fazemos um curso sequer pra ao menos justificar a bonificação. Falamos que queremos namorar, noivar, casar, mas nos enfiamos dia após dias em relacionamentos que sabemos previamente que nos levarão no mínimo pra cama, e no máximo a amargas lágrimas.

O problema é que as vezes se auto-sabotar é prazeroso. Como por exemplo, continuar dando uns bons amassos naquele bonitão, gostosão, tudo de bom. Deixar só porque não vai dar namoro? Ah.. não, pra nós é melhor aproveitar mais um pouquinho. Gastar aquele dinheiro da balada num curso de um final de semana inteiro, nos obrigando a pegar nos livros num baita domingão? Não.. mais pra frente, outra hora, quando o dinheiro sobrar (como se isso algum dia fosse possível, dinheiro sobrar. Puff)

Creio que a maior arma contra a auto-sabotagem é assumir o que realmente é e quer. E daí se você tá a fim só de ficar? E daí se você dá mais valor a uma balada que a aquisição de um conhecimento específico?

Temos a mania de querer nos encaixarmos no que é politicamente correto e esperado pela sociedade, e por conta disso, criamos expectativas pra nós mesmos que acabam nos frustrando, porque é claro, caminhamos ao oposto da direção delas.
O passo mais largo que dei em direção ao extermínio desse mal em mim foi me assumir pra mim e parar de fantasiar várias coisas que eu deveria querer quando na realidade, lá no fundinho, não quero.
Mas aí, meu caro, se eu, você e mais sei lá quem, se assumir, decidir o que realmente quer e ainda assim continuarmos nos auto-sabotando (mesmo que o que queiramos seja somente um beijo quente e uma cama fresca), ah, aí, podemos nos sentarmos no divã de algum psicanalista, porque a coisa já estará em estado crônico.
Camila Lourenço
Luna Sanchez disse:

Hoje mesmo comentei em um blog que me embriago de ansiedade e depois tenho ressacas memoráveis…

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Um beijo.

Brunno Lopez disse:

Me diverti lendo o seu texto. Não me lembro se já tinha visitado esse espaço, mas de qualquer forma, voltarei sempre que uma atualização estiver disponível.

Me agradou em muito essa sua pequena tese sobre auto sabotagem. A verdade é que quando se escreve com sinceridade sobre algum assunto, ele soa delicioso de passear os olhos.

Nos sabotamos sim e isso é uma naturalidade estranha dos nossos dias.