Pare de ser a burra da vez

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Pare de ser a burra da vez

19
out,2011

8

Ninguém morre de amor.
Julieta que entendeu errado a parada.
Havia tanto amor ali, mas tanto, que o bom senso já havia perdido há muito seu lugar.

Ela o carcomia com olhos, ouvidos, saliva. Ela o amava de uma forma tão gigante que ficava até chato. Ela queria preencher-lhe todas as lacunas, e dar-lhe todo, TODO o amor do mundo. Dormir de conchinha depois do amor, contar-lhe do dia, retrucar, responder, amar. Tonta, sequer percebia o que estava tendo em troca, ou se recebia algo em troca. Só ia, bebia como se seus lábios jamais houvesse tocado em algum líquido no mundo. Ela comia-o no café da manhã, da tarde, da noite, e demorava um pouco acordada para olhar pra aquele corpo sob o seu. Estava uma tonta, uma chata, uma tapada… uma apaixonada.
E mudou planos, e mudou rotina, e não voltou mais no encontro das amigas, nem foi mais ao cinema ver sua sessão favorita de filme francês, porque precisava estar com ele, queria estar com ele, pra ele, por ele, a ele.
Era impecável, sempre linda, inteligente, bebia e não se importava com o futebol do domingo. Era perfeita. O cercava tanto, estava tão presente que por assim o fazer, sequer o deu chances de perceber que ela fazia falta. E quanto mais como móvel da casa ele a tratava, mais a tapada se anulava, tentando desesperadamente e em vão preencher o abismo enorme que crescia entre eles. Não tardou, amargou um pé na bunda.
Sem entender e chorosa, hibernou um bom tempo a decepção. Se culpou, engordou, se revoltou. Enfiou o pé na jaca, bebeu, vomitou, saiu, beijou. Aos poucos, foi voltando sua rotina. Aos poucos foi voltando ser gente, ser ela. Viveu outras histórias. Repetiu o mesmo roteiro burramente várias vezes e parece que nunca entendeu. Parece que nunca entrou em sua caixola teimosa que seu encanto estava exatamente por ela ser um ser humano e não um parasita acampado nas costas, por conta e pra alguém.
Ainda continua linda, inteligente, mas passa a vida a contabilizar fracassos amorosos (opa, parece que temos algo em comum). E na sua ânsia de amar, leva cada dia pra mais longe esse querido dom.
Essa garota tem sido todas as mulheres, e esses amores, que nunca foram nada mais que doações desesperada de atenção, são todos os próximos que elas (nós) acreditamos sempre que fosse “o próximo”.
Meninas, está na hora de entendermos duas coisas: Um lance é só um lance.
O amor, uma hora acontece, e acredito que acontece bem naquele momento que começamos cativar aquele sentimento bonito por nós mesmas chamado: “respeito“.
Quanto aos “eu te amo” guardados… Uma hora acontece. Uma hora a gente acontece.
Ass: Uma das ex-“burras da vez” do Braséo.
Here Comes Your Man – Pixies
Camila Lourenço
Juliana Alves disse:

Demorou, mas estou aprendendo… Amor proprio, en quanto não aparece alguém merecedor, é o melhor de todos! 😉

Bjs, Cáh! =*

“O cercava tanto, estava tão presente que por assim o fazer, sequer o deu chances de perceber que ela fazia falta.”

E essa menina sempre cheia de razão!

BEIJO!

Amaranta disse:

Muito bom! Me encaixo perfeitamente no papel de tapada msm. Largamos de ser nós mesmo e de viver aquilo queremos para viver a vida de outra pessoa.

Brunno Lopez disse:

Repetir um roteiro é escrever o mesmo final com outras letras. Decepção é sempre dolorosa mesmo que escrita com letras de ouro, não?

E essa visão otimista é uma forma eficaz de trazer os melhores ventos possíveis para esse eterno valeiro do amor.

Olha ela e o magnifico dom de perceber o que acontece lá dentro, bem no fundinho do nosso ser. Nos descrevendo com tanta perfeição, tentando mais uma vez abrir-nos os olhos.
O recado foi dado.
Julieta? Eu? Morrer de amor é para os fracos.

Paula Eicke disse:

Camilaaaaa eu confesso te amooo!!!
Vc parece que ve meus sentimentos, pensamentos e sai por ai me contanto e me escrevendo para os outros!!Lindo, perfeito e vc esta certissima!!!
PS: Meu te amo é de verdade pode contabilizar! Parabenssss..bjos

Lia Araújo disse:

Tonta, chata, tapada… uma apaixonada. Olha a Camila me descrevendo!
Me Anulei, parasitei, escrevinhei… no fim tive que demonstrar um orgulho…orgulho que se dissolve nos fins de noite… todo fim de noite, quando eu me sinto miserável sem tê-lo… ( corrigindo, sem me enganar que tinha)… mas, mesmo assim, durante o dia ergo a cabeça, costuro um sorriso e um olhar de menina inteligente que sabe opinar sobre tudo e que é muito auto-suficiente.

Vou cobrar, viu a promessa… to esperando o tempo… eu tenho um atraso biológico, então… deve tá valendo…

O lance até pode ser o lance… mas, amor é ilimitado.