Posse

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Posse

28
jan,2011

14

Essa semana um dos blogs que eu mais gostava de ler foi excluido.

Minha primeira reação foi me sentir roubada. Roubada dos meus momentos, privada das minhas lágrimas, impedida de sentir todas as sensações boas e fortes que eu experimentava quando o lia. Foi então que percebi que somos donos de nossas escolhas, mas, depois que as fazemos, não somos mais donos dos frutos.
Se você canta, pode ser dono da sua voz, mas não das sensações que ela provoca em quem te ouve.
Se você compõe, pode ser proprietário das suas letras, mas não das palavras em forma de sentimentos que povoam a mente de quem escuta sua mensagem.
Você é dono do seu sorriso, mas não da alegria radiante que toma quem o recebe.
Você é dono das suas lágrimas, mas não do aperto no peito de quem te presencia derramá-las.
Você é dono de você, mas não do efeito devastador que pode provocar em muitas pessoas.
No final, somos todos um pouco “donos” de cada um. Somos invadidos todos os dias pelos efeitos de escolhas alheias. A alegria, a indignação, a dor… sempre há um pouco de alguém em nossos sentimentos.
Se você tem algo de bom a oferecer, é sua escolha repassar ou não. Mas, deixa de ser papel seu fazer vomitar o efeito que isso terá sobre a vida de quem te sentir.
Como diz uma música que uma amiga minha citou esses dias: “todos temos o direito de ir e vir, mas eu tenho o direito de querer ficar.”
Não se iluda. Sempre haverá alguém que de uma forma ou de outra será tocado por você, mesmo quando você for inexpressivo.

“O que sinto através de você me pertence!”

Camila Lourenço

Sim..comentei com vc que cada pessoa tinha absorvido esse texto de um jeito,e agora, até eu mesma já estou divagando sobre as várias vertentes que surgiram a partir da ótica dos que compartilharam sua opinião..
Definitivamente, o que escrevemos bem como as sensações que provocam não nos pertencem.

Gostei disso, dessa diversidade de caminhos que o texto ganhou…a opinião de cada um tem me feito pensar ainda mais sobre o assunto.

Beijo!

EURÍPEDES disse:

Camila o que a Fe Fraga escreveu eu ainda não tinha pensado assim. Lendo o que ela escreveu concordo plenamente. Palavras sábias e verdadeiras. O que escrevemos na verdade não sabemos como os leitores vão se decidir sobre o conteúdo e nossas mensagens. Seu texto criou vários caminhos de pensamentos e sentimentos. Acredito. Beijos

Fê,
Querida flor…encontrei o texto que vc citou(comentei lá tb) e vi que realmente vemos igual. O que escrevemos deixa de ser nosso no momento em que o colocamos para ‘fora’, assim como um filho deixa de ser da mãe no momento em que o parto acontece.
Somos apenas mordomas cuidando com desvelo do que nos foi confiado: o dom de gerar palavras que alcance corações.

Muitíssimo bom te ter por aqui.

Beijo carinhoso.

Fé Fraga disse:

Nossa Camilla, adorei o texto. Pura verdade viu?
Sem querer vamos tomando posse de mt coisa. E vou te dizer mais leia esse texto meu blog ele foi meu primeiro texto postado lá, está aqui parcialmente:
(…) “Fui percebendo durante anos que existem dois momentos cruciais de quem os escreve: o ato de criar e o da leitura. Esse primeiro momento é do autor, onde ele gera em seu âmago a inspiração, a vontade de expor seus sentimentos. O segundo momento, do leitor, que é o de entender ou não entender, o de concordar ou deixar-se concordar, pois após a leitura, o texto já é seu, obrigando e tomando posse de fazer dele o que melhor convier: registrar tais escritos ou deixá-los na memória, ou definitivamente depositá-lo em uma garrafa, vedar o gargalho, atirar no mar e esquecer.
(Fernanda F. Fraga).
Caso queira ver esse texto no íntegra está no meu blog: http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com

Voltarei mais vezes e ja´te seguindo aqui..e te seguindo no twitter tb.
Bjo.
Fé Fraga.

Liaaa,
Querida causadora da minha reflexão que teve como fruto este texto. Ninguém é obrigado ser feliz sempre, ou querer que o que é nosso continue exposto, porém, é sempre bom lembrar que há os dois lados da moeda e que aquela conversa mole que a gente ouvia quando eramos criança (que sempre há alguem que se importa e pensa em nós em algum lugar do mundo)é verdade.
Aproveite a paisagem do caminho enquanto suas mãos não alcançam o seu objetivo. As vezes a riqueza se constitui exatamente nisso.

Beijo e bom te ter de volta! 😉

Lia Araújo disse:

Querida… obrigada pela preocupação e por tudo o mais… eu sempre digo, escrevo ´para uma pessoa, escrevia pra atingir o coração de uma pessoa… só que no processo atingi o coração de outras, e me orgulho de vc ser uma delas…
sem mais palavras, ando tristinha esses dias… mas, suas palavras me fizeram sorrir e sentir que a minha escrita serve para alguma coisa!

beijos imensos e meu enorme carinho e gratidão!

EURÍPEDES disse:

É assim que absorvemos os acontecimentos cada qual a sua forma e nos apossamos da forma que mais se identifica conosco. E incorporamos ao nosso ser. É como vc disse… passa a ser nosso e ninguém tem o poder de nos retirar. Mesmo quem nos deu. Você está certa. Tudo que doamos e entregamos ás pessoas toma formas, linhas e energias diferentes para que possa completar-las de acordo as suas necessidades. Concordo com você. Simplesmente maneeeeeiiiro.
Beijos

Interessante, intrigante e polêmico.
Cada pessoa que leu esse texto absorveu de um jeito. Quando eu escrevi,eu o transpirei de uma forma, eu o pensei em uma linha, mas, depois de escrito, ele adquiriu a proporção que quem o ler quiser dar.
Gosto disso. Estar ciente de que o que fazemos, o que dizemos, não mais nos pertence depois que sai de nós é algo que me faz ficar pensando por horas a fio.
Engraçado como por exemplo, você que possui um blog, tem o direito de o excluir,se quiser, mas ciente de que isso seria meio que um roubo contra seus leitores.
Intigante pensar que nos pertencemos e ao mesmo tempo, não.

Bem, dá pra pensar um pouco mesmo.

Que bom que gostou.

Abraço de urso.

EURÍPEDES disse:

Então, Camila, só agora pude pará e comentar o seu texto: Posse. É…somos formados, “completados” e “moldados” segundo as nossas experiências, nossos sentimentos e nossas percepções sobre as “energias” que nos envolvem por meio dos acontecimentos que as pessoas promovem, sejam elas com por meio de palavras, gestos ,fisionomias,,atitudes – como abraços, beijos, carinhos, atenção, conquistas, derrotas, e etc.. Alguns dessas “energias” nos fazem tão bem ou mesmo tão mal que sem perceber vamos nos apossando delas. Vamos incorporando aos nossos diversos “Eu’s” que existem em nosso interior. Vamos nos apoderando como se encontrarmos parte perdida de nós. E muitas das vezes nem temos a consciência desses acontecimentos e dessa dinâmica em nossas vidas. Tanto quem passa essas “energias” como quem as recebem e utilizam para “completar” os seus “Eu’s” interior.

Você com sua espiritualidade teve a percepção e a sensibilidade de falar sobre algo que envolve todos nós e que pouco de nós tem a consciência. É um assunto interessante.

Aos poucos vou descobrindo sua espiritualidade.

Parabéns.

Abraços caloroso

Visite o blog SOMOS TODOS APRENDIZES – http://www.euripedesribeiro.blogspot.com

Wanderlen
Que sensação gostosa senti através de você por saber que seus olhos passeiam por aqui.
Saudações goianas a vc e a esse estado tão gostoso e rico que é o RS.
Beijo no coração!

Sandrio
Você resumiu tudo:quando acabamos de escrever algo, deixa de ser nosso e passa ser de quem o sentir (como Roberto Benini falou sobre seu filme).

Beijo grande!

sim o que sentimos ao ler um poema pertence-nos, acho que por isto quando acabamos de escrever o poema deixa de ser nosso.
saudações

wcastanheira disse:

O q sinto atravpes de vc, me pertence…q maravilha, uma belezura esta definição final e apoteótica, vc é assim, é tudo pra mim, adoro passear aqui, vc sempre tem uma pérola pra gente q t visita, então vai daqui deste cantinho do RS bjos, bjos e bjossssssss

Feer,
“A vida é bela” é um dos filmes da minha vida(inclusive, acho que tenho ele como filmes preferidos em todas as minhas redes sociais).
Não sabia que ele tinha dito isso, mas concordo plenamente.
É como esse blog, a decisão de o ter é minha, mas o efeito que ele tem nas pessoas, (mesmo quando não tem efeito algum)não me pertence.

Que bom que você gostou!

Beijo grande!!
MQC! 😉

Fernando Farias disse:

Lindo Camila… vc já assistiu a Vida é Bela… Roberto Benini disse exatamente essas palavras quando acabou de rodar o filme. Lhe disseram: “É sem dúvida o seu filme mais bonito Roberto! Ele respondeu: “Este filme não é meu, é das pessoas que o sentem!”

Adorei! 😉