Saber pedir ajuda

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Saber pedir ajuda

26
ago,2017

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O que um bebê, um depressivo suicida, uma pessoa vítima de violência (no ato da violência) e um agonizante em um acidente tem em comum?
Todos eles “gritam” pra sobreviver.
De uma forma simplista e muitas vezes catastrófica, temos um jeito primário de lidarmos com a dor e o medo em situações de extremos. Quando um depressivo silencioso faz sua primeira tentativa de suicídio, muitas vezes, é a forma que ele encontra de lidar com a dor e implorar por socorro. Para que assim quando era criança, alguém venha em seu socorro e lhe sare a dor. Em situações de risco também gritamos, e em TODAS as situações de dor, urramos, ainda que o urro não seja audível.
Acontece que na vida adulta, sentir dor as vezes implica lidar com sofrimentos que não passam com remédio. E como crianças, damos “birra” em busca de atenção. Tentamos, na maioria das vezes de maneira agressiva, chamar a atenção do outro para o que nos dói, e o outro, com suas próprias dores, nem sempre consegue notar o pedido de socorro em meio ao caos.
Nessas horas, a salvação pode estar na terapia, para que com o entendimento de onde dói, possamos saber pedir de forma producente. E, pedir ajuda, é mesmo uma merda. Assim como um pedinte, a gente espera que ao nos ver no chão, alguém estenda a mão e nos levante sem que precisemos gritar ou até mesmo implorar. Mas, em boa parte das vezes, não é assim que a banda toca.
Sempre adorei ser igual ao Zezinho, do “Meu pé de laranja-lima” e matar as pessoas dentro do meu coração. Havia um gosto maravilhoso de vingança na minha dissecação e isso me poupava de me envergar, mas me impedia também de olhar para onde realmente doia.
É engraçado como uma gravidez muda a gente. Não dá mais para matar as pessoas. Não há espaço para um cemitério dentro de mim. A gravidez é um momento que te convida a abrir mão de fardos, refletir, recomeçar, e fazer a coisa mais odiosa para os independentes, pedir ajuda.
Pedir ajuda é aceitar a fragil humanidade. Aceitar os próprios fardos, os próprios pedaços. E num exercício de humildade, dar ao outro a oportunidade de saber onde lhe dói, e que remédio é o melhor.
Foi realmente muito bom sermos bebês e não precisar falar pra ter alguém pra nos salvar. É viciante mesmo a sensação. Mas ela já foi. E se há como nós mesmos descobrirmos e falarmos, por que não começar? Por que dói? Assumir não nos poupa da dor do que é.
“Oi. Eu estou com problemas e está muito pesado resolver sozinho/a. Me ajuda?” é um grande passo pra começar.