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Sororidade

27
mar,2016

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Tive um namorado que me traiu com uma garota super legal. Eu perdoei a traição e amaldiçoei a ~~garota legal~~ até a 20° geração. (Mas continuei, para o desespero da minha gastrite, achando seus posts na internet sensacionais. Claro que ela nunca soube disso).
Sempre que uma garota “dá moral” – e é de certa forma correspondida – pelo cara que estamos saindo/namorando, é um tiro em nossa autoestima e nosso ódio se volta, naturalmente, para a garota. É difícil conter os “putas e vadias” que saem de nossas bocas quando vamos chorar as pitangas para as amigas.
Quanto mais o tempo passa, mais tenho pensado sobre esse padrão de comportamento feminino. Sobre o ódio “gratuito” que nutrimos por quem nos “ameaça”, sobre como estamos sempre prontas a fazermos de tudo para sermos as melhores, as mais gostosas, as melhores de sexo, as mais inteligentes, interessantes e descoladas para os olhos de quem amamos. E o tempo passa, os namorados mudam, casamos, descasamos, e as atitudes continuam as mesmas. E a insegurança em boa parte dessas situações, também.
Julgamos pela roupa, achamos que o cara que temos é o mais legal do mundo e temos alguma visão psicótica de que todas o querem e por isso mesmo, devemos rosnar mentalmente para cada “periguete” que lançar seu perfume. Como se a postura de quem está do nosso lado não fosse fator totalmente preponderante para que esses casos acontecessem, como se odiar a garota da vez fosse nos livrar das “próximas” (ora, se por várias vezes parte de quem temos do lado a atitude de dar abertura, porque tudo se resumiria em uma única experiência? É quase óbvio que haverão outros momentos de tensão se nossa atitude permanecer a mesma, ou, se permanecermos com o mesmo cara e o mesmo padrão de relacionamento).
É interessante começarmos de verdade a pararmos de nos vermos como rivais e começarmos entender as histórias que vieram antes de nós, as ex que vieram antes de nós e a vida que continua seguindo a partir do momento em que resolvemos nos envolver com alguém.
As traições provavelmente não acabarão com essa atitude, mas saberemos assim identificar o valor do outro, da outra e nosso.
Não somos rivais. Somos irmãs.