Amor próprio é quando a gente aprende trocar a palavra “disponível” pela frase “fui cuidar de mim”.

Pra que ligarem pra nós, se a gente sempre liga pra eles?

Pra que falar, se sempre falamos por eles?
Pra que se preocuparem conosco, se vestimos essa palavra com todas as letras possíveis?
Mania de luzinha verde, exatamente a mania que mulher, quando entra em alguma relação, tem. Luzinha verde do “disponível”. Deixamos de ir pra academia se a hora da academia coincidir com o único horário que o veremos. Chegamos atrasadas em compromissos pra ficar mais alguns minutos dando aquele beijo de despedida que sempre quer ser beijo de início. Até sorrir diferente a gente aprende. Aprende viver o outro. E isso acontece involuntariamente com todas. Posso afirmar com quase toda certeza que nenhuma mulher pode dizer que nunca se encaixou nas características descritas acima.
Já leu o prefácio de algum livro? É todo encantador e promissor. Se o prefácio for bom, o livro poder ter até mil e quinhentas páginas ou mais, que animaremos ler. O problema é quando o livro é só um prefácio. E ai, quanto mais enrolado e bonito o prefácio parece, mais de todas aquelas coisas que em resumo, somos nós mesmas, vamos abrindo mão. Queremos tanto o primeiro capítulo, o segundo, o terceiro, etc que vamos indo, ficando, engolindo. Só que uma hora, na maioria das vezes uma coisa mínima, nos acorda. E ai, a gente até lembra das tais voltas que o mundo dá, e a única coisa que conseguimos pensar é: “Foda-se!”
E ai a gente descobre que amor próprio é coisa rara e que de vez em quando a gente não tem. Mas, que ainda bem, Deus não nos deixa morrer sem.
Camila Lourenço