Eu sei que se juntar chiclete entre os dentes, espichar com a língua e assoprar, eu faço bola.

Sei que chutar a quina do sofá com o mindinho, dói, e agora eu sei também que mesmo tendo prestado atenção na aula de matemática da 8° série, eu continuo precisando de calculadora pra fazer contas básicas, como um dia em meio a uma aula, num resmungo, eu disse à minha professora.

Sei também que perfume em machucado, arde, que ser dono do próprio nariz custa caro e não ter regras para obeder dá medo – é bem mais fácil creditar nossas escolhas na comanda alheia.

Disso tudo eu sei. Que arroz com passas as vezes desagrada, que pimenta queima mais dentro que fora, que calçar tênis molhado dá chulé. O que eu não sei é quanto será a soma dos nossos dias vividos, nem se sua cara de pidão que as vezes irrita seria o que mais faria falta, caso no presente teu rosto fosse ausência

Eu também não sei se a vida será plena e serena, ou turbulência e furacão. Só sei que só de pensar nas despedidas, um gosto de saudade brota na boca, e que meus braços ficarão desalentados quando os que nasceram para os envolver, não estiverem mais aqui.

Não sei qual era a batida dos segundos quando aqui cheguei, nem sei qual tic tac haverá quando daqui partir. Só sei que eu quero dançar com você, rodopiando com o vento, quando as nossas pálpebras já quase não conseguirem mais se abrir. Quero descobrir as respostas de todas as perguntas sérias e idiotas que a vida apresenta, e balançar em uma cadeira ao seu lado, ainda que talvez cheia de dúvidas sobre como seria se não tivesse sido você. O amor não é certeza. O amor é escolha. E eu vou te amar, e mesmo sabendo que eu poderia ter tido qualquer outra pessoa no mundo, eu vou te amar. Porque eu te disse, amor não é a certeza de que fizemos a melhor escolha, mas a paz de saber que a escolha que fizemos, foi feita com o coração. E lá, naqueles anos que cabelo e algodão tem a mesmo cor, quero subir em seus pés para dançar  e ouvir o teu resmungo de surpresa, e me sentir a garota grande que um dia havia achado que grandes garotas não choram. E aí eu vou chorar só porque vou constatar que grandes garotas choram sim, que criança grande de cabelo branco e pele enrugada também tem medo e que o frio na barriga das primeiras vezes só haverá mudado de roupa, porque nessa hora eu saberei que mesmo que ele derrube minha casa, tamanha a força, ele sempre passará, mas também voltará.

Eu não sei que dia eu vou partir. Não sei se volto aqui. Só sei que se for daqui 10 anos, 5 dias ou 50 décadas, eu quero ver a rotação da terra, dia após dia, com você. Dando selinho após o trabalho e dormindo de conchinha antes do amanhecer.

 

{Foto: Alexandre Cavarzan}