(Trilha sonora para sua leitura)

Já fiz lista de desejos diários, acreditando mesmo que o universo devolvesse pra nós a energia que a ele jogamos. Houve vezes que deram certo, outras, não.
Já respirei fundo sentindo o vento no rosto e senti Deus ali, bem pertinho, e já fiquei sozinha sentada no chão de um lugar lindo, olhando pro céu sem nunca ter me sentido tão ‘só’.
Já chutei o pau-da-barraca e passei por cima dos meus conceitos. Já achei que sabia de tudo sem saber nada.
Já aprendi o que achava que era o certo e vi que o ‘certo’ é adaptável algumas vezes e que nem sempre o que é “certo” nos outros, caberá em mim.
Já recomecei. Recomecei. Recomecei e recomecei. Recomecei tantas vezes que quando olhei para trás só vi várias páginas escritas até a metade, abandonadas, borradas, marcadas pela borracha do tempo. Sem fim, continuação ou sentido.
Já acreditei, muito, em tudo e qualquer coisa. Já duvidei, muito, mas só pra desafiar a vida me provar que estava errada.
Já achei que estava fazendo o certo quando fiz uma sucessão de cagadas, já achei que estava redondamente enganada pra descobrir depois que deveria ter continuado como estava.
Já fiz tudo certinho, redondinho, cuidando pra merecer alguma coisa boa sem, no entanto, ter êxito algum. Já liguei o foda-se no 10, crendo que revoltando com tudo fosse haver algo de mais emocionante ou realmente relevante pra viver e a única coisa que encontrei foram as consequências dos meus próprios atos.
Já fiquei descrente, naqueles momentos necessitados urgente de algum, qualquer tipo, de milagre, sem que nada, contudo, acontecesse.
Já tentei acertar tantas vezes e até acertei, mas estava tão absorta em presenciar um resultado em específico que nem percebi ou valorizei quando outros surgiram..
Já fui feita de idiota por caras legais. Já fui feita de idiota por verdadeiros babacas. Já fiz babacas de idiota, já fiz de idiota caras legais (quem nunca?).
Já quis desesperadamente gostar dos caras “certos” que por mim se apaixonaram, e já quis com mais intensidade ainda que os caras “errados” por mim se apaixonassem.
Não coleciono fracassos. Não tenho uma vida ruim. Também não tenho a que queria ter. Aprendi, com todas essas coisas, que a vida não possui fórmulas nem roteiro certo como um rio. É vida, com um dia NOVO de verdade surgindo a cada amanhecer, embora pareça vestir sempre a mesma roupa.
Aprendi que a rotina pode ser névoa que não nos deixa ver que o que é belo as vezes está ao alcance das mãos, mas que também é a brisa de calmaria e aconchego que todos necessitam.
Aprendi que não sei se há milagres, mas que nunca deixarei de acreditar, (ao menos nisso não). E aprendi que por mais que tentemos fazer tudo certo e de acordo com o que achamos que realmente deve ser, a vida continuará sendo o rascunho de um livro que jamais será passado a limpo e que é lido e divulgado enquanto o escrevemos, entre rabiscos e corretivos mentais.
Aprendi que ninguém sabe ao certo viver e que seja talvez, exatamente por isso, que estejamos todos aqui, tentando, arriscando, descobrindo.
O que dá certo hoje pode não dar amanhã e o oposto também pode ser.
Mas aprendi mais ainda que felicidade é tão relativo que hoje pode significar possuir um carro e amanhã apenas possuir a capacidade de sorrir.
Em resumo: Aprendi que não sei nada.

“Quando você acha que sabe todas as respostas,
 vem a vida e muda todas as perguntas.”
|Desconheço o autor|
Camila Lourenço