Hey você, senta aqui… precisamos conversar
Eu sou exagerada, sabe? O que o tamanho não me agraciou, o exagero se esbaldou.
Tenho mesmo ainda a mania de me atirar nas coisas e o impulso ainda me controla muitas das vezes.
Sou ansiosa, hiperativa e sim, eu crio expectativas. Sei lá porque. Talvez o sistema em que eu tenha sido criada tenha sido um pouco diferente, onde geralmente se você está na mesma estrada, era normal e comum quem estava do seu lado dividir a água quando o sol se tornava escaldante demais. É, amigo. Eu sou assim. Eu crio expectativas.
Não vou te listar todos os defeitos porque tenho uma auto-estima pra cuidar, mas eu queria te dizer algumas coisas.
Eu tenho pena da nossa geração, sabe, moço? Uma geração cheia de grandes corajosos, que falam o que pensam e nunca o que sentem, quando e se é que sentem. É todo mundo tão armado. Sempre com 5 pedras na mão prontas para atirar caso seja preciso. Uma guerra fria discreta e constante.
Amizades? Ah, mudaram tanto a definição dessa palavra que hoje em dia nem sei descrevê-la com precisão.
Somos corajosos e medrosos. Levantamos muros e não permitimos que ultrapassem  nossa linha de proteção.
Matamos, dia após dia, nossos sonhos, nossas ilusões necessárias para que a força pra lutar por algo bom e que realmente gostemos, aconteça. Ainda bem, porque sonhar demais é tão nocivo quanto não ter sonho algum.
Mas, sabe, seu moço… eu quero te contar que eu ainda quero acreditar.
Acreditar em uma sociedade onde as pessoas se deem mais as mãos que murros. Numa relação feita de um fazendo banquinho para o outro transpor os muros.
É um defeito grande, eu sei, moço. Mas é quase mais forte que eu.
Eu sei que políticos corruptos jamais deixarão de existir e que a maldade também não, mas aquele ditado “O mundo muda quando a  gente muda” não me sai da cabeça.
Então, moço quero te contar que no meu mundo a gente pode conversar e rir sinceramente. Pode me falar da sua vida e dos seus problemas. Pode se indignar pela alta dos impostos, pela teia de corrupção do Cachoeira e por tantas outras coisas que você quiser. Até pela maconha não ser liberada até hoje. Não te garanto concordar com tudo, mas garanto respeito com cada uma das suas inquietações.
Eu sei que não existe problema grande ou pequeno. Existe problema grande na proporção à vida de cada um.
Aqui, amigo, você vai poder me cumprimentar amanhã caso nos encontremos depois de uma noite de risadas. Eu vou te dar um sorriso de “oi” de volta.
Aqui, amigo, vai haver sempre uma meio intensa, meio louca, meio santa, instável, estável, feliz, infeliz de ouvido e coração aberto pra te ouvir quando sentir que da sua boca parte palavras sinceras, ainda que ásperas.
Então, seu moço, não me iniba. Não mate o resto de fé que há em mim no ser humano.
Não me deixa vê-lo recuar quando alguém em você chegar sendo sincero a valer.
Não seja você o portador do mal da censura do eu único que há em cada um, inclusive em mim.
Agora, se você quiser ficar… saiba que há alguém aqui disposta a ser feliz.
Eu quero me permitir, se você também quiser, está convidado… pode ficar por aqui.

 
OneRepublic – Secrets
Camila Lourenço