“Solidão é a solidão de nós.
(Vou) me lembrar de criar asas.”
|O Teatro Mágico|

Eu estava disposta. Disposta mesmo, a muita coisa.
Disposta a ser propriedade sem ser proprietária. Disposta a transformar minhas horas em minutos, se fosse para estar ao lado dele. Disposta a fechar todas as possíveis portas de oportunidades que se abriam para mim todos os dias para entrar somente pela porta dele.
Ele era gente como eu, e era sua imperfeição que me fazia sentir aquela coisa muito parecida com amor.
Mas, entre minhas disposições as vezes quase cegas, eu vi uma mão puxar um freio. A mão do comodismo do não envolvimento, o freio do chão da realidade.
Calei pra fora. Conversei pra dentro. Pensei em mim.
Voltei andar, pra frente, ao meu encontro.

Camila Lourenço