Tem dias que sou tomada por silêncios que gritam. E não sinto vontade alguma além de ficar calada e ouvi-los gritar. Gritar até estourarem meus tímpanos e fazerem com que a dor de não ouvir seja maior e pior que a dor de não sentir ou sentir demais.
Queria ser um deserto árido e denso por dentro. Mas até mesmo em meio a pedras minhas flores conseguem crescer. Eu as observo nascer enquanto ouço meu silêncio gritar. E os ecos vão até o fim e voltam a mim. E não há voz para fazer côro com os gritos silenciosos. Por que a solidão é muda e é a única presente.
Camila Lourenço