Ninguém morre de amor.
Julieta que entendeu errado a parada.
Havia tanto amor ali, mas tanto, que o bom senso já havia perdido há muito seu lugar.

Ela o carcomia com olhos, ouvidos, saliva. Ela o amava de uma forma tão gigante que ficava até chato. Ela queria preencher-lhe todas as lacunas, e dar-lhe todo, TODO o amor do mundo. Dormir de conchinha depois do amor, contar-lhe do dia, retrucar, responder, amar. Tonta, sequer percebia o que estava tendo em troca, ou se recebia algo em troca. Só ia, bebia como se seus lábios jamais houvesse tocado em algum líquido no mundo. Ela comia-o no café da manhã, da tarde, da noite, e demorava um pouco acordada para olhar pra aquele corpo sob o seu. Estava uma tonta, uma chata, uma tapada… uma apaixonada.
E mudou planos, e mudou rotina, e não voltou mais no encontro das amigas, nem foi mais ao cinema ver sua sessão favorita de filme francês, porque precisava estar com ele, queria estar com ele, pra ele, por ele, a ele.
Era impecável, sempre linda, inteligente, bebia e não se importava com o futebol do domingo. Era perfeita. O cercava tanto, estava tão presente que por assim o fazer, sequer o deu chances de perceber que ela fazia falta. E quanto mais como móvel da casa ele a tratava, mais a tapada se anulava, tentando desesperadamente e em vão preencher o abismo enorme que crescia entre eles. Não tardou, amargou um pé na bunda.
Sem entender e chorosa, hibernou um bom tempo a decepção. Se culpou, engordou, se revoltou. Enfiou o pé na jaca, bebeu, vomitou, saiu, beijou. Aos poucos, foi voltando sua rotina. Aos poucos foi voltando ser gente, ser ela. Viveu outras histórias. Repetiu o mesmo roteiro burramente várias vezes e parece que nunca entendeu. Parece que nunca entrou em sua caixola teimosa que seu encanto estava exatamente por ela ser um ser humano e não um parasita acampado nas costas, por conta e pra alguém.
Ainda continua linda, inteligente, mas passa a vida a contabilizar fracassos amorosos (opa, parece que temos algo em comum). E na sua ânsia de amar, leva cada dia pra mais longe esse querido dom.
Essa garota tem sido todas as mulheres, e esses amores, que nunca foram nada mais que doações desesperada de atenção, são todos os próximos que elas (nós) acreditamos sempre que fosse “o próximo”.
Meninas, está na hora de entendermos duas coisas: Um lance é só um lance.
O amor, uma hora acontece, e acredito que acontece bem naquele momento que começamos cativar aquele sentimento bonito por nós mesmas chamado: “respeito“.
Quanto aos “eu te amo” guardados… Uma hora acontece. Uma hora a gente acontece.
Ass: Uma das ex-“burras da vez” do Braséo.
Here Comes Your Man – Pixies
Camila Lourenço