“Não se pode dar uma prova de existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando.”
|Clarice Lispector|

Já fiquei contando os dias para o ano passar rápido, na ansiedade da chegada do nada, só para que o amanhã que não me doeria, chegasse logo.

Já dormi sete horas da noite pra não ter que ficar acordada e ja fui dormir quase sete da manhã também com preguiça de dormir e ter outro dia dolorido pra enfrentar.
Já fiz coisas sem nexo, como limpar gavetas antigas, ler bula de remédio ou “modo de usar” de desinfetante. Qualquer coisa que me entretesse de mim.
Já quis tanto que chegasse um tempo que o “vai passar” não fosse preciso, que me perdi nas frestas desse querer.
Já acreditei em quem não devia acreditar, já tentei ser metade e fui mais inteira que eu completa.
Já quis viver outra vida, e vivi, mudando de gosto, rumo, roupas e cabelo.
Já quis fazer não doer, e quanto mais eu tentava, mais dolorido tudo ficava.
Já me coloquei num cantinho, quando tinha uma cama inteira na vida me esperando, só porque o cantinho que mal me cabia tinha o calor de quem eu amava.
Já quis fazer o mundo me ver de dentro pra fora, já quis que o mesmo mundo esquecesse da minha existência.
Já julguei e fui julgada.
Já escrevi sobre felicidade com as lágrimas molhando o teclado, só pra não passar o sentimento ruim adiante.
Já fui incompreendida, e também muitas vezes, não compreendi.
Aprendi a base de tapas, muitas vezes desnecessários, que sim, a vida é dura sim e que também seria como eu determinasse que seria.
Já fiz planos espetaculares na mente, e os vi desmoronar através de um simples sorriso.
De todas as coisas, aprendi que não deixei de amar todas as vezes que deixei de falar. e descobri também, que nesse mundo louco, nunca se perder é privilégio de poucos.
Já tive um rumo certo. Agora, só quero o rumo que me leve de volta ao que mais preciso:(D)eu(s).

Camila Lourenço